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A melancolia na vida cotidiana é tema do Café Filosófico CPFL em agosto

Escrito por:

Assessoria de Imprensa   27/07/2016

Campinas, 28 de julho de 2016 - A julgar pelo empenho da indústria farmacêutica em vender as sempre novíssimas gerações de antidepressivos, é possível imaginar que o mundo ocidental vem sofrendo uma crescente epidemia de depressão. Esta “epidemia”, porém, cresce em razão direta dos lucros dos fabricantes de remédios, afirma a psicanalista e escritora Maria Rita Kehl, curadora do módulo de agosto do Café Filosófico CPFL sobre “Melancolia na vida cotidiana”.

A série de encontros, abertos ao público e com transmissão online, reúne o filósofo Vladimir Safatle, a urbanista Ermínia Maricato e psicóloga Julieta Jerusalinsky para questionar se, de fato, somos todos candidatos potenciais à depressão e se o consumo de remédios seria a única solução para nosso mal-estar cotidiano.

“A proposta é produzir discursos críticos que, sem ignorar a melancolia contemporânea, busquem causas e apontem rumos diferentes daqueles propostos pela psicofarmacologia”, afirma a curadora.

No primeiro encontro, no dia 05/08, às 19h, Maria Rita Kehl fala sobre “Melancolia e desencanto – aceleração e depressão”. “Pretendo nesta abertura resumir as hipóteses que desenvolvi em meu livro ‘O tempo e o Cão: a atualidade das depressões (Boitempo, 2009)’ e mostrar que o aumento do sofrimento depressivo na contemporaneidade seria tributário da aceleração da vida cotidiana, sobretudo nos países industrializados.” 

De acordo com a autora, a ideia propalada de que “tempo é dinheiro”, desvaloriza a delicadeza da experiência e esvazia ou fragiliza a dimensão imaginária da vida psíquica, tornando os sujeitos propensos à depressão. 
Internautas poderão acompanhar o debate ao vivo e enviar perguntas durante a transmissão pelo site (institutocpfl.org.br/cultura/aovivo).

Na sexta-feira seguinte, 12/08, também às 19h, Ermínia Maricato, arquiteta, urbanista e professora da USP, discute “A melancolia da desigualdade na cidade dividida” com uma análise sobre os transtornos ocasionados a partir de questões como o emprego doméstico, a discriminação, o preconceito, o abandono da periferia, as epidemias e a ausência de infra-estrutura básica, como água, esgoto, drenagem, coleta de lixo, mobilidade, etc, para boa parte da população.

No dia 19/08, Vladimir Safatle, filósofo e professor da USP, aborda o tema “Melancolia do poder”. “O poder age em nós através da melancolia. Não há nenhuma dominação que seja baseada apenas na coerção, mas toda dominação só pode se realizar como uma forma de amor. Amamos o que nos domina, o que nos leva à questão de saber que forma é esta de amor que organiza nossa servidão”, afirma. 

“Se partirmos da compreensão freudiana de que a melancolia é uma forma de amor - a saber, amor por objetos perdidos que nunca podem ser elaborados - podemos ter um eixo para compreender as dinâmicas psíquicas da sujeição”, complementa o filósofo.

Julieta Jerusalinsky, psicóloga e professora da PUC-SP, encerra o módulo 26/08 com um debate sobre “Melancolia na infância”. “Geralmente tendemos a idealizar a infância como uma época cheia de vivacidade em que um estado de permanente criatividade impediria qualquer manifestação de tristeza. No entanto, encontramos crianças que se sentem profundamente entediadas, sem curiosidade ou tempo para inventar diante de suas agendas cheias. Ao submeter as crianças a um pragmático princípio de superequipá-las para o futuro, em uma permanente produção maníaca de ofertas de informação e de consumo, pode-se estar tirando delas algo fundamental: o encontro com um certo vazio e uma certa tristeza que fazem parte da vida e que são necessários para poder desejar e inventar. Ao querer poupa-las de toda e qualquer tristeza podemos deixa-las assoladas pela melancolia”, afirma.

Saiba mais sobre a série de encontros em institutocpfl.org.br/cultura/

Serviço: A melancolia na vida cotidiana
local: instituto cpfl cultura (rua jorge figueiredo corrêa, 1632, chácara primavera, campinas – sp);
capacidade: 180 lugares;
classificação etária: 14 anos;
transmissão online pelo http://www.institutocpfl.org.br/cultura/aovivo
entrada gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h. vagas limitadas (lotação da capacidade da sala);
mais informações: 19. 3756-8000

Tags:
    Instituto CPFL; CPFL Energia; cultura; Café Filosófico; Maria Rita Kehl