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Austeridade

​A austeridade como um princípio administrativo tem elevado valor ético. Trata-se do uso adequado (racional, ou seja, sustentável) dos recursos físicos e financeiros da empresa. Todo desperdício é condenável, seja do ponto de vista econômico, seja do ponto de vista ético. Todo recurso deve ser utilizado com parcimônia, na justa medida de sua utilidade para o atingimento dos objetivos da empresa. Pelas mesmas razões, a política de relacionamento também deve ser criteriosa. Tudo isso requer uma doutrina clara da empresa a respeito, com regras transparentes e conseqüentes.

A divisão técnica do trabalho faz com que, em toda empresa, algumas pessoas (cargos) encontrem-se em condição especial para a tomada de decisões comerciais importantes. Tais pessoas (cargos) costumam ser estimuladas por uma política de motivação e de premiação por produtividade. Há várias formas de se motivar e premiar: mediante bônus salariais diretos ou mediante vantagens e gratificações indiretas. Argumenta-se com freqüência que tais políticas deveriam ter como único critério de justificativa o fator econômico. Sabe-se, porém, que a falta de limites nesse aspecto pode gerar tensões internas que terminam prejudicando o mesmo objetivo econômico. Do ponto de vista da ética, tais políticas motivacionais podem ser legítimas, numa certa medida, equilibrando-se três aspectos:

1) a racionalidade econômica (custo-benefício);

2) o fator psicológico inerente à dinâmica dos sujeitos. A inveja existe; o desejo de ser como o outro e de ter o que o outro tem é tão antigo  quanto a humanidade; a rivalidade é inerente ao convívio social; todo ser humano desenvolve-se comparando-se com os demais (e isso é uma astúcia do processo evolutivo da vida). A empresa tem que dar uma direção saudável a essa pulsão competitiva dos sujeitos;

3) o fator moral. Todo sujeito  regula sua disposição ao trabalho e seu compromisso de lealdade à empresa dentro de certas condições. Os limites dessas condições são a sua percepção de ser tratado com justiça. Todo trabalhador deseja e quer justiça para si. É um sentido inerente de dignidade que todos têm. E justiça requer clareza e eqüidade de normas.

Não há política motivacional mais apropriada, legítima e eficiente do que aquela que promove o desenvolvimento de vínculos fortes e identificações e que tenha como resultado a formação de sentimentos de pertença e propriedade (ownership) do sujeito à organização.

A dinâmica desses aspectos faz com que numa empresa deva haver uma margem limitada de tolerância para com tudo o que pareça favorecimento, vantagem indevida e privilégio, pois a simples aparência de vantagens para alguns já suscita o desejo dos demais.

Por isso, os excessos (tanto os “privilégios” para além do que é justo, quanto as “carências” para aquém do que é justo) tendem a gerar insatisfações e dissensões internas e gerar danos à produtividade e à imagem da empresa. Todos devem estar e sentir-se dentro da margem do direito e da justiça.

É uma questão de Governança, ou seja, de equilíbrio no exercício do poder. Por isso também é uma questão de ética, ou seja, de justiça no exercício do poder.