Thursday, July 24, 2014

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Introdução

A RGE - Rio Grande Energia S/A, desde sua fundação tem prestado serviços à comunidade gaúcha, tem tido uma incessante preocupação com o aumento da qualidade de seus serviços. Este trabalho insere-se neste permanente esforço, como uma ferramenta de auxílio ao planejamento urbano municipal de um segmento que consideramos muito importante para a qualidade de vida dos cidadãos: o meio ambiente.

Neste breve texto que segue, busca-se exibir aspectos dos processos de poda e arborização urbana, sob um novo prisma: manejo integrado das podas, arborização e destinação dos resíduos gerados, e não apenas o plantio e o corte periódicos de árvores na cidade.

Buscamos visualizar a cidade de forma dinâmica e integrada, propondo um projeto de arborização planejada que pode trazer diversos resultados positivos.

Este trabalho resultou de pesquisa bibliográfica e da experiência de um corpo técnico multidisciplinar especializado em planejamento ambiental. Para informações complementares, sugerimos uma pesquisa às fontes consultadas, listadas ao final do trabalho.

 

Impactos Ambientais

A Transformação do Ambiente Natural em Urbano

Antes da existência dos centros urbanos, onde hoje eles se erguem, o ambiente era composto por florestas, campos e cursos d'água. Em conjunto e convivendo harmoniosamente com a vegetação, a água e outros elementos naturais, existiam inúmeros animais silvestres.

Atualmente, a maioria da população mora em cidades, obedecendo a uma tendência de concentração que somente tende a crescer. Isto acarretou algumas modificações ao sistema natural, como a impermeabilização do solo por pavimentação e construções, a utilização maciça de materiais como concreto, vidro, ferro, asfalto e cerâmica, a redução drástica da cobertura vegetal e o aumento da poluição atmosférica, hídrica, visual e sonora. Como conseqüência, o padrão do ambiente urbano tornou-se muito inferior àquele necessário para dar condições de vida humana mais adequadas. Entretanto, se o processo de urbanização é irreversível, o que se deve buscar é tornar este ambiente urbano o mais próximo possível do ambiente natural, compatibilizando o desenvolvimento com a preservação ambiental e proporcionando uma melhor qualidade de vida à população do município.
 
 
 
Benefícios da Arborização

Arborizar uma cidade não significa apenas plantar árvores em ruas, jardins e praças, criar áreas verdes de recreação pública e proteger áreas verdes particulares. Além disso, a arborização deve atingir objetivos de ornamentação, melhoria microclimática e diminuição da poluição, entre outros, como se pode verificar a seguir.
 
Redução da Temperatura
As árvores e outros vegetais interceptam, refletem, absorvem e transmitem radiação solar, melhorando a temperatura do ar no ambiente urbano. No entanto, a eficiência do processo depende das características da espécie utilizada, tais como a forma da folha, a densidade foliar e o tipo de ramificação. O vento também afeta o conforto humano e seu efeito pode ser positivo ou negativo, dependendo grandemente da presença de vegetação urbana. No verão, a ação do vento, retirando as moléculas de água transpiradas por homens e árvores, aumenta a evaporação. No inverno, significa um aumento do resfriamento do ar.
 
 
 

Redução da Poluição Urbana
As árvores no ambiente urbano têm considerável potencial de remoção de partículas e gases poluentes da atmosfera. No entanto, a capacidade de retenção ou tolerância a poluentes varia entre espécies e mesmo entre indivíduos da mesma espécie. Algumas árvores têm a capacidade de filtrar compostos químicos poluentes, como o dióxido de enxofre (SO2), o ozônio (O3) e o flúor. Mesmo considerando-se que as árvores podem agir com eficiência para minimizar os efeitos da poluição, isso só será possível por meio da utilização de espécies tolerantes ou resistentes. Os danos provocados pela poluição atmosférica podem ser muito significativos, dependendo principalmente das espécies utilizadas e dos índices de poluição.

Redução dos Ruídos
O nível de ruído excessivo nas cidades, provocado pelo tráfego e por diversas outras fontes, afeta psicológica e fisicamente as pessoas. A presença das árvores reduz os níveis da poluição sonora ao impedir que os ruídos e barulhos fiquem refletindo continuamente nas paredes das casas e edifícios, causando uma sensação de um som permanente, similar ao que sentimos ao falar numa sala vazia, sem móveis. Isto é, as árvores e suas folhas contribuem para absorver a energia sonora fazendo com que os sons emitidos desapareçam rapidamente.

O Valor de uma Árvore
Pode-se atribuir às árvores um valor sentimental, cultural ou histórico. Alguns deles são valores subjetivos, difíceis, portanto, de quantificar. A maioria das pessoas considera o fator estético como o principal na arborização urbana, em virtude da aparência das árvores ser direta e imediatamente perceptível, ao contrário dos demais benefícios.

As alterações que as árvores sofrem em função das estações do ano fazem com que estas se apresentem ora com flores, ora com folhas ou sem folhas. Estas modificações são importantes pela renovação da paisagem urbana. Elementos como textura, estrutura, forma e cor, inerentes às arvores, alteram o aspecto da cidade, quebrando a monotonia e a frieza típica das construções. 

Outras qualidades que podem ser atribuídas às árvores urbanas são seu poder de interferir em microclimas e de reduzir a poluição, os ruídos e a temperatura. A estes atributos, associam-se as contribuições sociais, que podem ser definidas como a saúde física e mental do homem, as opções de recreação propiciadas pela arborização e o aumento do valor das propriedades em função da existência de árvores ou áreas verdes.

Por este conjunto de razões, é difícil estimar quanto vale uma árvore, mas a Associação Americana dos Engenheiros Florestais realizou um estudo comparativo que chegou a um valor estimado de US$ 273/árvore/ano. Considerando-se um tempo de vida de 50 anos e uma taxa de juros de 5% ao ano, o valor de uma árvore urbana chega à incrível marca de US$ 57.151.

Embora possam ser discutíveis estes valores, os custos de produção e manutenção de uma árvore somados aos seus custos ambientais poderão servir de bases para aplicação de multas pelas prefeituras.
 
Espécies Nativas

Pequeno Porte
Goiabeira
Nome Científico:
Psidium guajava

Família:
MYRTACEAE

Floração:
setembro/novembro
Folhas:
Semidecídua 
 
Aroeira-
Periquita

Nome Científico:
Schinus molle

Família:
ANACARDIACEAE

Floração:
setembro/novembro
Folhas:
Perene 
 
Aroeira-
vermelha

Nome Científico:
Schinus molle

Família:
ANACARDIACEAE

Floração:
agosto/novembro
Folhas:
Perene 
 
Camboim
Nome Científico:
Myrciaria tenella

Família:
MYRTACEAE

Floração:
novembro/dezembro
Folhas:
Semidecídua 
 
Angiquinho
Nome Científico:
Caliandra selloi

Família:
MIMOSACEAE

Floração:
todo o ano
Folhas:
Perene 
 
Ipê-amarelo
Nome Científico:
Tabebuia
crisotrycha

Família:
BIGNONIACEAE

Floração:
agosto/setembro
Folhas:
Decídua 
 
Corticeira-
do-banhado

Nome Científico:
Erytrina crista-galli

Família:
PAPILIONOIDEAE

Floração:
setembro/dezembro
Folhas:
Decídua
 
Pitangueira
Nome Científico:
Eugenia uniflora

Família:
MYRTACEAE

Floração:
agosto/novembro
Folhas:
Semidecídua 



MEDIO PORTE

Araçá
Nome Científico:
Psidium cattleianum

Família:
MYRTACEAE

Floração:
junho/dezembro
Folhas:
Semidecídua 
 
Chal-chal
Nome Científico:
Allophylus edulis

Família:
SAPINDACEAE

Floração:
novembro/dezembro
Folhas:
Semidecídua 
 
Caúna
Nome Científico:
Ilex brevicuspis

Família:
AQUIFOLIACEAE

Floração:
setembro/janeiro

Folhas:
Perene 
 
Cancorosa
Nome Científico:
Maytenus ilicifolia

Família:
CELASTRACEAE

Floração:
setembro/janeiro
Folhas:
Perene 
 
Ipê-roxo
Nome Científico:
Tabebuia
avellanedae

Família:
BIGNONIACEAE

Floração:
setembro/fevereiro

Folhas:
Decídua 
 
Jaborandi
Nome Científico:

Pilocarpus
pennatifolius

Família:
RUTACEAE

Floração:
todo o ano

Folhas:
Perene 
 
Quebra Machado
Nome Científico:
Trichilia chausseni

Família:
MELIACEAE

Floração:
setembro/dezembro
Folhas:
Perene 
 
Pessegueiro-do-mato
Nome Científico:
Prunus sellowii

Família:
ROSACEAE

Floração:
dezembro/fevereiro
Folhas:
Decídua 
 
Pata-de-vaca
Nome Científico:
Bauhinia candicans

Família:
CAESALPINOIDEAE

Floração:
outubro/janeiro

Folhas:
Decídua 
 
Salseiro
Nome Científico:
Salyx
humbolditiana

Família:
SALICACEAE

Floração:
setembro/outubro
Folhas:
Decídua 
 
Sina-sina
Nome Científico:
Parkinsonia aculeata

Família:
CAESALPINOIDEAE

Floração:
setembro/dezembro
Folhas:
Perene 




GRANDE PORTE

Açoita-cavalo
Nome Científico:
Luehea divaricata

Família:
TILIACEAE

Floração:
novembro/dezembro
Folhas:
Semidecídua 
 
Guajuvira
Nome Científico:
Patagonula americana

Família:
BORAGINACEAE

Floração:
setembro/novembro
Folhas:
Decídua 
 
Capororocão
Nome Científico:
Rapanea parvifolia

Família:
MYRSINIACEAE

Floração:
setembro/dezembro
Folhas:
Perene 
 
Canela-do-brejo
Nome Científico:
Nectandra leucothyrsus

Família:
LAURACEAE

Floração:
janeiro/abril
Folhas:
Perene  
 
Canela-amarela
Nome Científico:
Nectandra lanceolata

Família:
LAURACEAE

Floração:
setembro/dezembro
Folhas:
Semidecídua 
 
Guapuruvu
Nome Científico:
Schizolobium parahyba

Família:
CAESALPINOIDEAE

Floração:
agosto/novembro
Folhas:
Decídua 
 
Timbaúva
Nome Científico:

Enterolobium contortisiliquum

Família:
MIMOSOIDEAE

Floração:
setembro/novembro
Folhas:
Decídua 
 
Pinheiro
Nome Científico:
Araucária angustifolia

Família:
ARACURARIACEAE

Floração:
setembro/outubro
Folhas:
Perene 
 
Jaboticabeira
Nome Científico:
Myrciaria trunciflora

Família:
MYRTACEA

Floração:
janeiro/fevereiro
Folhas:
Perene 
 
Podocarpus
Nome Científico:
Podocarpus lambertii

Família:
PODOCARPACEAE

Floração:
setembro/outubro
Folhas:
Perene 
 
Paineira
Nome Científico:
Chorisa speciosa

Família:
BOMBACACEAE

Floração:
dezembro/abril
Folhas:
Perene 
 



PALMEIRAS NATIVAS
Butiazeiro
Nome Científico:
Butia eriospata

Família:
PALMAE

Floração:
outubro/janeiro
Folhas:
Perene  
 
Gerivá
Nome Científico:
Syagrus romanzoffianum

Família:
PALMAE
Floração:
setembro/março
Folhas:
Perene 
 
Palmito
Nome Científico:
Euterpe edulis

Família:
PALMAE

Floração:
setembro/outubro
Folhas:
Perene 
 
 
  
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Espécies Recomendadas

A seleção das espécies deve considerar, necessariamente, os seguintes itens: capacidade de adaptação, sobrevivência e desenvolvimento no local do plantio, além de características como porte, tipo de copa, folhas, flores, ausência de frutos, hábito de crescimento das raízes, ausência de princípios tóxicos, adaptabilidade climática, resistência a pragas e doenças, tolerância a poluentes e a baixas condições de aeração do solo.
 

O programa de arborização deve estabelecer para cada rua ou padrão de rua a espécie e o porte de árvore a utilizar, indicando se o plantio será de um ou de ambos os lados da rua. Deve definir paisagisticamente se o plantio será regular, com uma única espécie por rua, intercalado por espécies diferentes a cada determinado número de quarteirões ou totalmente misto, dentro de padrões de porte aceitáveis.

Deve-se, por razões estéticas e também fitossanitárias, estabelecer o número de espécies a utilizar e a proporcionalidade de uso de cada espécie, em relação ao total de árvores a ser plantado, sendo que cada espécie não deve ultrapassar 10 a 15% da população total de árvores. Segundo a ISA (International Society of Arboriculture), é recomendável que a freqüência de uma única espécie não ultrapasse 15%.


Espécies a utilizar para redução da poluição
Se o objetivo é utilizar espécies para o controle da poluição, em áreas centrais do município, então deve-se utilizar uma composição de espécies resistentes à poluição e que ao mesmo tempo reunam características morfológicas adaptadas para esta função, pois as folhas das árvores podem absorver gases poluentes e prender partículas sobre sua superfície, especialmente se estas forem pilosas, cerosas ou espinhosas. A seguir, apresenta-se tabelas com a denominação de espécies indicadas para a redução da poluição: 
 

Pequeno Porte com Folhagem Permanente:

Nome comum Nome científico Sistema radicular
Quaresmeira Tibouchina granulosa Pivotante
Quaresmeira Tibouchina sellowiana Pivotante
Chal-chal Allophyllus edulis Pivotante
Araçá Pisidium cattleyanum Pivotante
Chuva-de-ouro Cassia multijuga Pivotante

 
Médio Porte com Folhagem Semicaduca:

Nome comum Nome científico Sistema radicular
Guabiroba-de-folha-miúda Campomanesia rhombea Fasciculado
Cocão Erythroxylum argentinum Fasciculado
Manaça-da-serra Tibouchina mutabilis Pivotante
Tarumã-preta Vitex montevidensis Pivotante
Goiabeira-da-serra Brittoa guazumifolia Pivotante

 
Médio Porte com Folhagem Permanente:

Nome comum Nome científico Sistema radicular
Goiabeira Psidium guajava Pivotante
Sibipiruna Caesalpinia peltophoroides Pivotante

 
Grande Porte com Folhagem Semicaduca:
 
Nome comum Nome científico Sistema radicular
Guabiroba Campomanesia xanthocarpa Fasciculado
Camboatá vermelho Cupania vernalis Pivotante
Maria preta Diospyrus inconstans Fasciculado
Camboatá branco Matayba elesgnoides Fasciculado
 
 
Grande Porte com Folhagem Permanente:

Nome comum Nome científico Sistema radicular
Guajuvira Patagonula americana Pivotante
Aguaí Pouteria gardneriana Pivotante
Aguaí-folha-de-salso Pouteria salicifolia Pivotante
Catiguá Trichilia clauseni Pivotante
Açoita-cavalo Luehea divaricata Fasciculado
Louro-preto Chordia ecalyculata Pivotante
Louro Chordia trychotoma Pivotante
Caroba Jacaranda micrantha Fasciculado

 

 
 
Espécies a utilizar em estacionamentos
Se o objetivo é arborizar locais de estacionamento de veículos, deve-se utilizar espécies que proporcionem sombra, mas que não tenham frutos grandes, que possam causar danos aos veículos, folhas caducas de grande tamanho e outras características que dificultem o trânsito dos veículos. Para estacionamentos, são indicadas as espécies abaixo:
 
 
 

Nome comum
Nome científico
Persistência Foliar
Açoita-cavalo
Luehea divaricata
Caducifólia 
Aleluia
Senna multijuga
Caducifólia
Angelim-bravo
Lonchocarpus campstris
Caducifólia
Angico-vermelho
Parapiptadenia rigida
Semicaducifólia
Aroeira-pririquita
Schinus molle
Perenifólia
Bartimão
Cassia leptophylla
Perenifólia
Camboatá-vermelho
Cupania vernalis
Perenifólia
Canafistula 
Peltophorum dubium
Perenifólia
Canela-amarela
Nectranda rigida
Caducifólia
Canela-do-brejo
Machaerium stipitatum
Perenifólia
Canela-ferrugem
Nectranda rigida
Caducifólia
Capororoca
Rapanea umbellata
Perenifólia
Carne-de-vaca
Styrax leprosus
Perenifólia
Carvalho-brasileiro
Roupala brasiliensis
Caducifólia
Catiguá
Trichilia clausenii
Perenifólia
Cedro
Cedrella fissis
Caducifólia
Corticeira-da-serra
Erytrhrina falcata
Caducifólia
Grápia
Apuleia leiocarpa
Caducifólia
Guajuvira
Pataonula americana
Caducifólia
Inga-feijão
Inga marginata
Perenifólia
Inga-macaco
Inga sessilis
Perenifólia
Ingazeiro
Lonchocarpus sericeus
Perenifólia
Marmeleiro-do-mato
Ruprechtia laxiflora
Caducifólia
Pau-brasil
Caesalpinia echinata
Perenifólia
Pau-ferro
Caesalpinia ferrea
Caducifólia
Quaresmeira
Tibouchina granulosa
Perenifólia
Rabo-de-bugio
Lonchocarpus muehlbergianus
Perenifólia
Sibipiruna
Caesalpinia peltophoroides
Perenifólia
Timbó
Ateleia glazioveana
Perenifólia

 

Espécies a utilizar em canteiros centrais
Na arborização de canteiros centrais pode-se utilizar espécies de grande porte, se o canteiro tiver grandes dimensões (mais de 4 metros de largura), ou então espécies colunares, como as palmeiras. Estas últimas se apresentam de forma adequada para este fim, além de servirem como referência aos condutores de automóveis. Sempre que possível, deve-se utilizar espécies nativas, mas se estas não estiverem disponíveis, pode-se utilizar espécies exóticas adaptadas.

Parâmetros para Implantação de Arborização em Canteiros Centrais:

Largura da Rede Aérea (metros) Porte Sistema Radicular
2,00 sem pequeno pivotante
2,00 com pequeno pivotante
2,00 - 3,00 sem pequeno, médio, grande pivotante
2,00 - 3,00 com pequeno pivotante
3,00 - 4,00 sem pequeno pivotante/fasciculado*
3,00 - 4,00 com pequeno pivotante
4,00 sem Pequeno, médio, grande pivotante/fasciculado
4,00 com Pequeno, médio, grande pivotante/fasciculado

* - Quando se tratar de palmeiras

Palmeiras para uso em Arborização:

Nome comum Nome científico Local de plantio
Palmeira-real-da-Austrália Archantophoenix cunninghamiana Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Butiazeiro Butia capiata Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Cariota Caryota urens Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Palmiteiro Euterpe edulis Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Neodipsis Neodypsis decaryi Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Tamareira-das-canárias  Phoenix canariensis Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Tamareira Phoenix dactylifera Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Robeline Phoenix roebelinii Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Palmeira imperial Roystonea oleracea Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Sabal Sabal palmetto Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Gerivá Syagrus romanzoffianum Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Palmeira cabeluda Trachycarpus fortunei Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Buriti-palito Trithrinax brasiliensis Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Palmeira-da-califórnia Washingtonia robusta Calçadas e/ou Canteiros Centrais
Palmeira-da-califórnia Washingtonia filifera Calçadas e/ou Canteiros Centrais

 

Espécies a utilizar em corredores de fauna

As ruas e avenidas da cidade podem formar corredores para o deslocamento da avifauna construídos por meio do emprego de espécies nativas que produzam frutos e constituam abrigo para a aves na cidade. Tais corredores devem ter ocorrência na área de mata e vice-versa. As espécies utilizadas devem produzir frutos e sementes em diferentes épocas do ano, de forma a proporcionar alimentação permanentemente disponível no corredor. Além disso, é fundamental que o logradouro permita não apenas a aplicação de espécies variadas, mas também que cada uma possa contribuir com expressivo número de indivíduos. É necessária uma grande quantidade de frutos de uma mesma espécie para que o corredor seja efetivamente atrativo.

Espécies frutíferas Nativas mais Procuradas pela Aves:

Nome popular Nome científico Nº de espécies de aves que procuram seus frutos ou sementes
Grandiúva Trema michantha  14
Canela Aiourea saligna  08
Chá-de-bugre Casearia sylvestris 08
Figueira-da-folha-graúda Ficus enormis 08
Chal-chal Allophylus edulis 07
Aroeira-vermelha Shinus terebinthifolius 07
Manica-de-cadela Zanthoxylum rhoifolium 07
Embaúba Cercopia catarinensis 06
Tarumã-do-banhado Citharexylum myrianthum 06
Figueira Ficus pertusa 06
Leiteiro Sapium glandulatum 06
Camboatá-vermelho Cupania vernalis 05
Cerejeira Eugenia inolucrata 05
Guabiju Myrcianthes pungens 05
Tarumã-preta Vitex megapotamica 05

Fonte: SANCHOTENE (1985). Tabela composta através de revisão de literatura e informações pessoais de estudiosos da avifauna.
 


Espécies que não se deve usar
Deve-se evitar a utilização de algumas espécies por diversas razões. Em alguns casos, pode-se ter uma alta freqüência de indivíduos de uma mesma espécie, o que é indício para o aparecimento de doenças.

Nas cidades gaúchas, é muito comum a alta freqüência das espécies Ligustro (Ligustrum japonicum) e extremosa (Lagostroemia indica). Se este for o caso, deve-se evitar o uso destas espécies, dando-se preferência às espécies nativas, ficando a critério do técnico responsável a decisão quanto à sua utilização.

Outro caso é a elevada afinidade de certas espécies com hemi-parasitas, como as ervas-de-passarinho. Neste caso, deve-se evitar o uso da uva-do-japão (Hovenia dulcis) e controlar o uso da Tipuana (Tipuana tipu).

Outras espécies, como Perna-de-moça (Brachychyton populneum), apresentam problemas de estabilidade em calçadas.

Outras razões são aquelas mais obvias, como não utilizar espécies frutíferas que apresentam grandes frutos próximo a locais de estacionamentos, espécies caducifólias que apresentam grandes folhas próximo a locais de drenagem superficial, como calhas e bueiros, espécies que apresentam raízes superficiais, notadamente conhecidas como do gênero Ficus, em logradouros que apresentam pouco espaço etc.

Plantio 

O plantio adequado das árvores, necessita da observação de alguns critérios técnicos, para que no futuro não ocorram problemas com o trânsito de veículos, pessoas ou mesmo com os fios elétricos ou de telefonia.

Deve-se escolher, preferencialmente, uma só espécie para cada lado da rua ou mesmo para cada rua, com exceção dos corredores de fauna.

Sob os fios, deve-se plantar sempre árvores de pequeno porte. No lado sem fios, podem ser plantadas espécies maiores.

As mudas devem ter entre 1,80m e 2,00m de altura e devem ser transportadas em embalagens próprias, para não perder o torrão.

Sobre o espaçamento entre árvores e sua localização nas calçadas, deve-se considerar, entre outros aspectos, o porte e as necessidades da espécie. É indicado o uso do espaçamento de 7m a 10m para árvores pequenas e de 10m a 15m para árvores grandes; devendo ser guardada uma distância mínima de 1m do meio fio e 5m das construções.

A posição da muda na cova deve ser tal que mantenha a mesma profundidade em que estava no viveiro. O preenchimento da cova deve levar em conta que o colo da muda permaneça ao nível do solo e deve ser feito de forma que as bordas fiquem mais elevadas, formando uma bacia de captação de água.

A terra para o preenchimento das covas deve ser fértil. Recomenda-se a utilização de composto orgânico formado por terra e esterco curtido na proporção de 1:3.

 

Ruas e passeios estreitos
Não se deve arborizar.

Se houver afastamento entre a construção e o passeio, plantar dentro do lote, com autorização do proprietário.

Escolher sempre as espécies de pequeno porte.


Ruas estreitas com passeios largos
Plantar apenas do lado onde não houver fios.

Plantar espécies de porte médio.


Passeios estreitos e ruas largas
Plantar apenas do lado onde não houver fios, a 50 cm fora do passeio.

Plantar espécies de pequeno porte.


Passeios largos e ruas largas
No lado sem fios, plantar espécies de grande porte.

No lado com fios, plantar espécies de pequeno porte.


Passeios médios, ruas estreitas
No lado com fios plantar espécies de porte médio.

No lado sem fios plantar espécies de porte médio ou grande.


Passeios largos, ruas largas e fiação subterrânea
No lado sem postes de iluminação, plantar espécies de grande porte.

No lado com postes de iluminação, plantar espécies de médio porte.


Passeios largos, ruas largas sem fiação
Plantar espécies de grande porte nos dois lado.

 

Passeios largos, ruas largas com fiação elétrica
No lado com fios plantar espécies de porte médio.

No lado sem fios plantar espécies de grande porte.


Passeios largos, ruas largas com recuo nos dois lados e fiação elétrica
No lado com fios plantar espécies de pequeno porte.

No lado sem fios plantar espécies de grande porte.


Parâmetros para Implantação de Arborização em Calçadas

Largura (m) Recuo de Jardim Rede Aérea Espécie (porte)
Menor ou igual a 2,00 . . Não arborizar
2,10 - 3,00 sem sem pequeno
2,10 - 3,00 sem com pequeno
2,10 - 3,00 com sem pequeno e médio
2,10 - 3,00 com com pequeno
3,00 - 4,00 sem sem pequeno e médio
3,00 - 4,00 sem com pequeno
4,00 sem sem médio e grande
4,00 sem com pequeno
4,00 com sem pequeno, médio e grande
4,00 com com  pequeno e médio
 
 
Poda

A poda das árvores urbanas é uma prática constante, seja para proporcionar mais vitalidade às árvores, seja por questões de segurança ou mesmo simplesmente por estética. Esta prática consiste na retirada de ramos, galhos ou mesmo de parte das raízes. O período para a realização da poda, no Rio Grande do Sul é o inverno no período de latência da vegetação. A menos que a espécie a ser podada seja caducifólia, a qual deverá ser podada na primavera, pois neste período já recobrou as folhas, o que torna possível a identificação dos ramos secos, doentes ou danificados.

A prática da poda inicia-se ainda no viveiro, com o objetivo de direcionar o desenvolvimento da copa contra a tendência natural do modelo arquitetônico da espécie. Isto é feito para compatibilizar a árvore com os espaços urbanos ou para promover sua conformação estética. Este tipo de poda é chamado de poda de formação.

Após alcançado o objetivo da configuração arquitetônica da copa, as árvores necessitam de cuidados, como a retirada de galhos secos e a eliminação de focos de fungos ou plantas parasitas. Então, é realizada a poda de manutenção.

Mesmo após estes procedimentos podem ocorrer alterações do ambiente urbano que demandem a realização de outra modalidade, a poda de segurança, com o objetivo de prevenir acidentes.

 
Para entender melhor o processo é preciso imaginar a estrutura de uma árvore, suas características, como forma da copa, galhos, folhas e outros. O conhecimento prévio da arquitetura das espécies que se pretende utilizar em arborização é fundamental para o seu planejamento, reduzindo os custos de manutenção e melhorando a vitalidade das árvores.
 

Poda de formação
A poda dos galhos deve ser realizada o mais cedo possível, para evitar cicatrizes muito grandes. Por esta razão, os galhos baixos, que dificultarão a passagem de pedestres ou o estacionamento de veículos, deverão ser retirados quando a planta ainda é jovem. Além destes, galhos com inserção defeituosa também deverão ser retirados.
 


 
 
 
Poda de manutenção
Na poda de manutenção, são eliminados basicamente galhos senis ou secos. A atenção, neste caso, é dada para a base do galho.
 
 
Na base do galho, inserção do galho no tronco, pode-se observar duas estruturas: a crista de casca na parte superior e o colar na parte inferior da base do galho. No momento da poda, estas duas estruturas deverão permanecer intactas.
 
Quando o galho tem mais de 5cm de diâmetro, para a realização da poda, é necessário adotar o tradicional método denominado de três cortes. Primeiramente, faz-se um corte na parte inferior do galho, a uma distância do tronco equivalente ao diâmetro do galho, ou no mínimo 30cm. Este corte não precisa ser profundo, sendo 1/3 do diâmetro do galho suficiente. O próprio peso do galho dificultará a ação da serra. O segundo corte é feito na parte superior do galho, distante de 2cm a 3cm acima do corte inferior, até a ruptura do galho.
 

O terceiro corte visa eliminar o toco remanescente. Sem estar sendo forçado pelo peso do galho, este corte muitas vezes deve ser feito de baixo para cima, preservando-se o colar e a crista de casca intactos. Isto porque a serra nem sempre pode ser corretamente posicionada na parte superior do galho, devido ao ângulo de inserção muito pequeno.

 
O corte dos galhos pesados sem os três cortes provocará danos no tronco logo abaixo do galho, apresentando descascamento ou extração de lascas do lenho, além disso, por meio do primeiro e do segundo cortes pode-se direcionar a queda do galho.
 
 
 
 

 

 

Poda de Segurança
Esta poda é semelhante à de manutenção. A diferença é que neste caso o galho não está preparado para a poda, pois quando o mesmo perde a vitalidade, o que popularmente chama-se de "morto", ocorre a redução dos processos bioquímicos dentro do lenho junto à sua base. Isso prepara os mecanismos de defesa, para a futura perda do galho.

Uma alternativa para esta eventualidade é o corte em etapas, preparando o galho para a poda. Na primeira poda, o galho é cortado a uma distância de 50cm a 100cm do tronco. O galho, assim debilitado, provocará a ativação dos mecanismos de defesa. Após um ou mais períodos vegetativos, procede-se a uma segunda poda, agora junto ao tronco, concluindo a operação de remoção do galho.

Obs: Nunca deve-se realizar a poda em mais de 2/3 da copa.
 


Dendrocirurgia
Como todo ser vivo, a árvore tem mecanismos de defesa para reduzir os riscos de morte total após uma lesão. Mas, diferentemente dos organismos animais, as árvores não cicatrizam com a substituição das células afetadas. No tecido vegetal, são processadas alterações químicas e formadas novas células para recompor a estrutura afetada. Este processo é denominado de compartimentalização.

A compartimentalização é fundamental para a poda, pois evita a degradação da madeira após o corte. É importante observar que quanto mais ativo for o metabolismo, mais rapidamente se processará a compartimentalização.

A dendrocirurgia é uma técnica que objetiva a recuperação de árvores por meio da eliminação de tecidos necrosados, especialmente na região do tronco, realizando a desinfeção através de fungicidas à base de cobre. Depois disso, a região é coberta com material de alvenaria, geralmente cimento.

Esta prática é muito contestada e deve, nos próximos anos, ser adotada ou totalmente abolida, pois os fungicidas geralmente são ineficientes ou causam danos ao processo natural de compartimentalização. Segundo a IAS (Internatinal Society Arboriculture), a prática da dendrocirurgia deve ser abandonada.

Cabe aos responsáveis técnicos pela arborização do município optarem, ou não, pela utilização desta técnica.

Manejo Integrado

GRAU DE MANUTENÇÃO

Relação de Espécies Nativas a Serem Utilizadas na Arborização, Relacionadas com o Grau de Poda de Manutenção Necessária


Baixa Manutenção = raramente requer podas de condução

Média Manutenção = requer podas de condução com média freqüência

Alta Manutenção = requer podas de condução com muita freqüência
 

Espécies Nativas de Pequeno Porte

Nome comum

Nome Científico

Manutenção

Camboim

Blepharocalix suaveleus

Média

Primavera

Brunfelsia uniflora

Baixa

Topete-de-cardeal

Vassoura vermelha

Alta

Pitangueira

Eugenia uniflora

Média

Guamirim

Gomidesia palustris

Média

Camboim

Myrciaria cuspidata

Baixa

Camboim bala

Myrciaria delicatula

Baixa

Pau-ferro verdadeiro

Myrrhinum loranthoides

Média

Araçá

Psidium cattleyamum

Baixa

Fedegoso

Senna bicapularis

Alta

Ipê-ouro

Tabebuia alba

Média

Ipê-amarelo

Tabebuia crisotrycha

Média

Quaresmeira-da-serra

Tibouchina sellowiana

Média

  

Espécies Nativas de Médio Porte

Nome comum

Nome científico

Manutenção

Chal-chal

Allophylus edulis

Baixa

Pata-de-vaca

Bauhinia candicans

Alta

Goiabeira-da-serra

Britoa guazumifolia

Alta

Guabiroba-folha-miúda

Campomanesia rhonbea

Baixa

Guassatunga

Caseraria parviflora

Média

Maria preta

Crysophyllum maytenoides

Baixa

Corticeira-do-banhado

Erytrina crista-galli

Alta

Cocão

Erythroxyllum argentinum

Média

Uvaia

Eugenia puriformis

Média

Camboim-de-folha-larga

Myrcia multiflora

Média

Bacopari

Rheedia gardneriana

Média

Araticum

Rollinia exalbida

Média

Aleluia

Senna multijuga

Alta

Manduirana

Senna macrantera

Alta

Ipê-rosa

Tabebuia roseo-alba

Média

 

Espécies Nativas de Grande Porte

Nome comum
Nome científico
Manutenção
Albizia
Albizia lebeck
Média
Grápia
Apuleia leiocarpa
Média
Pinheiro
Araucária angustifolia
Baixa
Guatambú
Aspidosperma parvifolium
Média
Timbó
Ateleia glazioviana
Média
Canjerana
Cabraleia canjerana
Média
Sibipiruna
Caesalpinea Peltophoroides
Média
Guabiroba
Campomanesia xanthocarpa
Baixa
Embaúba
Cercopia catarinensis
Baixa
Cedro
Cerela fissilis
Baixa
Louro
Cordia trichotoma
Média
Camboatá vermelho
Cupania vernalis
Baixa
Canela do brejo
Dalbergia variabilis
Média
Maria preta
Diospyros inconstans
Baixa
Corticeira da serra
Erithryna falcata
Média
Cerejeira
Eugenia involucrata
Baixa
Batinga
Eugenia rostrifolia
Baixa
Maria mole
Guapira opositae
Média
Alecrim
Holacalyx balancsa
Média
Erva-mate
Ilex paraguaiensis
Média
Ingá feijão
Inga marginata
Alta
Jacarandá
Jacaranda mimossifolia
Alta
Açoita-cavalo
Luehea divaricata
Média
Camboatá-branco
Matayba elegnoides
Média
Guabiju
Myrciantes pungens
Baixa
Jaboticabeira
Myrciaria trunciflora
Baixa
Cabrúva
Myrocarpus frondosus
Média
Canelas
Ocotea spp. e Nectranda spp
Média
Angico-vermelho
Parapiptadenia rigida
Baixa
Guajuvira
Patagonula americana
Alta
Canafístula
Peltophorum dubium
Média
Capororoca
Rapanea umbellata
Baixa
Carvalho-brasileiro
Roupala brasiliensis
Média
Aroeira-periquita
Schinus molle
Alta
Grandiuva
Trema micranta
Alta

   

DESTINO DOS RESÍDUOS

A poda na arborização urbana é uma prática fundamental e vital para a implantação e manutenção das espécies arbóreas, mas os resíduos da poda nos centros urbanos podem se tornar um problema, a menos que a administração municipal disponha de um projeto para a destinação destes resíduos.

A maioria dos municípios destina estes resíduos para os depósitos de lixo. O mais recomendável, porém, é a sua remoção para um aterro sanitário onde exista um local apropriado para a sua disposição final.

Em um ambiente natural, os resíduos gerados pela queda espontânea dos galhos e folhas são incorporados ao solo e retornam às próprias árvores sob forma de nutrientes. Sendo assim, o ideal dentro de um programa ecologicamente integrado é que estes resíduos sejam transformados e incorporados na arborização urbana.

A forma para que isto ocorra é a formação de um sistema de compostagem que utilize estes resíduos na formação de adubo orgânico, o qual poderá ser utilizado no viveiro municipal ou na adubação da própria arborização, retornando assim à sua origem.

Podemos dividir os resíduos gerados pela poda em função do seu tamanho. Isto é fundamental para definir a destinação mais adequada para este material.

O material de maior diâmetro, ou seja, de diâmetro igual ou superior a 8cm, deve ser destinado para uso como combustível. Neste caso, podem ser utilizados em olarias, programas assistenciais, como caldeiras para creches, hospitais, padarias de escolas técnicas, entre outros.

Os resíduos de menor diâmetro deverão ter suas dimensões ainda mais reduzidas através de um triturador, equipamento que transforma os galhos em cavacos e serragem. Desta forma, pode-se reduzir o tempo de degradação da madeira. Mas só isto não basta, é preciso realizar a bioestabilização do composto, através do acréscimo de composto rico em nitrogênio, que pode ser o lodo de esgoto estabilizado ou esterco de gado não curtido, dependendo da disponibilidade destes materiais no município. No caso da utilização do lodo de esgoto, deve-se incorporar a este processo um minhocário, o qual acelerará ainda mais o processo de transformação do composto orgânico além de reduzir drasticamente possíveis contaminações do lodo por coliformes fecais.

O composto gerado pode ser utilizado no viveiro municipal, nas mudas que retornarão à arborização urbana, ou na adubação direta na arborização, melhorando as condições nutricionais das árvores da cidade. 
 

BENEFÍCIOS

Visão e os Benefícios do Manejo Integrado

Como vimos ao longo desse trabalho, as vantagens de uma arborização e de podas planejadas são bastante consideráveis para se melhorar a harmonia do ambiente urbano. Por outro lado, os custos de ações ambientais como essas são relativamente baixos, visto que a maior parte do equipamento e da mão-de-obra necessários já encontram-se disponíveis nas Prefeituras Municipais.

Além disso, se o município já tem em curso uma política de planejamento ambiental e outros projetos, como reciclagem de lixo, áreas verdes, saneamento básico e horto florestal, os custos são ainda menores e os resultados podem ser ainda mais contundentes para a comunidade.

Para os municípios que ainda não iniciaram ações mais concretas de gestão ambiental, esse projeto pode servir como incentivador e desencadeador do começo de um processo cada vez mais necessário e bem-aceito pela população.

 

Legislação

De acordo com a Constituição Federal, toda cidade com mais de 20 mil habitantes deve, obrigatoriamente, contar com plano diretor aprovado pela Câmara Municipal. Daí a existência de zoneamentos urbanos identificando setores com vocações, destinações e regras de ocupação específicas. Os zoneamentos determinam as regras de ocupação específicas que, por sua vez, geram facilidades e/ou dificuldades para a existência da arborização urbana.

Somam-se a estes instrumentos legais básicos as leis normativas complementares como os Códigos de Obras ou Posturas Municipais e os Códigos de Loteamentos ou parcelamento do solo urbano.

A junção destas determinações legais básicas define as possibilidades de efetivação da arborização urbana em seus diferentes aspectos.

A criação de praças e parques públicos requer para sua efetivação, além de embasamento legal e recursos econômicos, a disponibilidade de espaços físicos. As leis de zoneamento urbano e de loteamentos ao definirem regras e condições de parcelamento, destinação e ocupação do solo urbano podem garantir esses espaços, constituindo instrumentos de grande eficácia para a efetivação de um adequado sistema de arborização.

As Leis que atribuem às prefeituras a responsabilidade sobre a realização da poda são o Art. 65 do Código Civil e o Art. 151 do Código das Águas.

As Leis que determinam e regulamentam as áreas de preservação permanente e as espécies arbóreas nativas imunes de corte são a Lei Federal n. 4.771 de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal e a Lei Estadual n. 8.518 de 21 de janeiro de 1992 - Código Florestal Estadual.

Em áreas urbanas os cortes e as podas são licenciados pelos municípios, normalmente pelas Secretarias de Agricultura e de Meio Ambiente.

Nas áreas rurais o licenciamento para corte de árvores nativas deve ser solicitado junto a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, mais especificamente, no DEFAP - Departamento de Florestas e Áreas Protegidas. Nos municípios que habilitados para o licenciamento de atividades de impacto ambiental local, também é possível a obtenção de licenciamentos para cortes de árvores nativas.

Além deste conjunto, o município deve possuir uma legislação específica. Com o intuito de auxiliar os municípios, a RGE efetuou uma coletânea de Leis e Projetos ambientais que podem orientar na definição das melhores diretrizes legais para a implantação de uma política de gestão ambiental. Alguns desses documentos podem ser encontrados nos links abaixo:

Modelo de algumas leis básicas para a administração municipal
Código Florestal
Unidades de Conservação

Download do Manual de Arborização Urbana