Poda
A
poda das árvores urbanas é
uma prática constante, seja para
proporcionar mais vitalidade às
árvores, seja por questões
de segurança ou mesmo simplesmente
por estética. Esta prática
consiste na retirada de ramos, galhos
ou mesmo de parte das raízes. O
período para a realização
da poda, no Rio Grande do Sul é
o inverno no período de latência
da vegetação. A menos que
a espécie a ser podada seja caducifólia,
a qual deverá ser podada na primavera,
pois neste período já recobrou
as folhas, o que torna possível
a identificação dos ramos
secos, doentes ou danificados.
A prática da poda
inicia-se ainda no viveiro, com o objetivo
de direcionar o desenvolvimento da copa
contra a tendência natural do modelo
arquitetônico da espécie.
Isto é feito para compatibilizar
a árvore com os espaços
urbanos ou para promover sua conformação
estética. Este tipo de poda é
chamado de poda de formação
.
Após alcançado
o objetivo da configuração
arquitetônica da copa, as árvores
necessitam de cuidados, como a retirada
de galhos secos e a eliminação
de focos de fungos ou plantas parasitas.
Então, é realizada a poda
de manutenção .
Mesmo após estes
procedimentos podem ocorrer alterações
do ambiente urbano que demandem a realização
de outra modalidade, a poda de
segurança , com o objetivo
de prevenir acidentes.
Para entender melhor o processo
é preciso imaginar a estrutura
de uma árvore, suas características,
como forma da copa, galhos, folhas e outros.
O conhecimento prévio da arquitetura
das espécies que se pretende utilizar
em arborização é
fundamental para o seu planejamento, reduzindo
os custos de manutenção
e melhorando a vitalidade das árvores.
Poda de formação
A poda dos galhos deve ser realizada o
mais cedo possível, para evitar
cicatrizes muito grandes. Por esta razão,
os galhos baixos, que dificultarão
a passagem de pedestres ou o estacionamento
de veículos, deverão ser
retirados quando a planta ainda é
jovem. Além destes, galhos com
inserção defeituosa também
deverão ser retirados.
Poda
de manutenção
Na poda de manutenção, são
eliminados basicamente galhos senis ou
secos. A atenção, neste
caso, é dada para a base do galho.
Na base do galho, inserção
do galho no tronco, pode-se observar duas
estruturas: a crista de casca na parte
superior e o colar na parte inferior da
base do galho. No momento da poda, estas
duas estruturas deverão permanecer
intactas.
Quando
o galho tem mais de 5cm de diâmetro,
para a realização da poda,
é necessário adotar o tradicional
método denominado de três
cortes. Primeiramente, faz-se um corte
na parte inferior do galho, a uma distância
do tronco equivalente ao diâmetro
do galho, ou no mínimo 30cm. Este
corte não precisa ser profundo,
sendo 1/3 do diâmetro do galho suficiente.
O próprio peso do galho dificultará
a ação da serra. O segundo
corte é feito na parte superior
do galho, distante de 2cm a 3cm acima
do corte inferior, até a ruptura
do galho. O terceiro corte visa eliminar
o toco remanescente. Sem estar sendo forçado
pelo peso do galho, este corte muitas
vezes deve ser feito de baixo para cima,
preservando-se o colar e a crista de casca
intactos. Isto porque a serra nem sempre
pode ser corretamente posicionada na parte
superior do galho, devido ao ângulo
de inserção muito pequeno.
O
corte dos galhos pesados sem os três
cortes provocará danos no tronco
logo abaixo do galho, apresentando descascamento
ou extração de lascas do
lenho, além disso, por meio do
primeiro e do segundo cortes pode-se direcionar
a queda do galho.
Poda de Segurança
Esta poda é semelhante à
de manutenção. A diferença
é que neste caso o galho não
está preparado para a poda, pois
quando o mesmo perde a vitalidade, o que
popularmente chama-se de "morto", ocorre
a redução dos processos
bioquímicos dentro do lenho junto
à sua base. Isso prepara os mecanismos
de defesa, para a futura perda do galho.
Uma alternativa para esta
eventualidade é o corte em etapas,
preparando o galho para a poda. Na primeira
poda, o galho é cortado a uma distância
de 50cm a 100cm do tronco. O galho, assim
debilitado, provocará a ativação
dos mecanismos de defesa. Após
um ou mais períodos vegetativos,
procede-se a uma segunda poda, agora junto
ao tronco, concluindo a operação
de remoção do galho.
Obs: Nunca deve-se realizar
a poda em mais de 2/3 da copa.
Dendrocirurgia
Como todo ser vivo, a árvore tem
mecanismos de defesa para reduzir os riscos
de morte total após uma lesão.
Mas, diferentemente dos organismos animais,
as árvores não cicatrizam
com a substituição das células
afetadas. No tecido vegetal, são
processadas alterações químicas
e formadas novas células para recompor
a estrutura afetada. Este processo é
denominado de compartimentalização.
A compartimentalização
é fundamental para a poda, pois
evita a degradação da madeira
após o corte. É importante
observar que quanto mais ativo for o metabolismo,
mais rapidamente se processará
a compartimentalização.
A dendrocirurgia é
uma técnica que objetiva a recuperação
de árvores por meio da eliminação
de tecidos necrosados, especialmente na
região do tronco, realizando a
desinfeção através
de fungicidas à base de cobre.
Depois disso, a região é
coberta com material de alvenaria, geralmente
cimento.
Esta prática é
muito contestada e deve, nos próximos
anos, ser adotada ou totalmente abolida,
pois os fungicidas geralmente são
ineficientes ou causam danos ao processo
natural de compartimentalização.
Segundo a IAS (Internatinal Society Arboriculture),
a prática da dendrocirurgia deve
ser abandonada.
Cabe aos responsáveis
técnicos pela arborização
do município optarem, ou não,
pela utilização desta técnica.
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